Em um contexto geral, pode-se evidenciar que vivemos em uma sociedade marcada pela urgência, aceleração e fragmentação do tempo seguindo a ótica de Byung-Chul Han. Forma-se, assim, um meio pasteurizado que perde a sensibilidade da criança, a qual saboreia o tempo lento com mais liberdade e presença, fato que pode ser evidenciado ao realizar atividades artísticas plásticas sem fins utilitários e preocupações contemporâneas. A arte surge como possibilidade de ócio estético e reencontro da criança interior, sendo uma ferramenta do processo de individualização. Assim, esse artigo teve como objetivo realizar uma exposição contemplativa e interativa para estimular a criança interior artista que existe dentro das pessoas, seguindo uma perspectiva junguiana. A metodologia utilizada foi uma pesquisa-ação de caráter qualitativo com enfoque etnográfico, consistindo em onze entrevistas narrativas com jovens adultos que foram ligados às artes plásticas na infância e que tiveram um afastamento da expressão artística com o decorrer dos anos ou que se reconectaram com a arte apenas na fase adulta. Aponta-se como principais descobertas o uso da arte como meio de refúgio no dia-a-dia, além de relatos acerca da sociedade contemporânea acelerada que visa o estudo para o vestibular como principal fator para afastamento das atividades artísticas. A partir das entrevistas realizadas e da investigação teórica, iniciou-se o processo de planejamento da exposição denominada “Entre Cores e Lembranças”, contendo onze pinturas (acrílica sobre tela) desenvolvidas pela pesquisadora, além de atividades interativas ligadas ao desenhar e colorir. Ao final, como resultado, a exposição ocorreu no dia 20 de Novembro de 2023 com a presença de cerca de 100 indivíduos no Espaço Cultural UNIFOR, havendo relatos e reflexões de pessoas que se sensibilizaram no viés do resgate da infância e da expressão artística plástica. A guisa de considerações, os resultados dos estudos sublinham que a arte é uma ferramenta de extrema importância para o processo de individuação e resgate do eu infantil como possibilidade de ócio estético na sociedade contemporânea, sendo a exposição contemplativa e interativa realizada como um meio de estímulo à criança interior artista que existe dentro das pessoas.
Entre cores e lembranças: uma jornada de reencontro com a criança interior
Camilla Lima Ferreira Rodrigues, Beatriz Pinheiro Bezerra, Herbênia Carmem de Lima Oliveira, Adriana Helena Santos Moreira Da Silva