Este estudo analisa o filme de animação japonês Look Back (Oshiyama, 2024), baseado em um mangá (história em quadrinhos japonesa) homônimo de Tatsuki Fujimoto. Na narrativa, a confiante Ayumu Fujino, uma garota que adora desenhar, costuma publicar uma série de mangás no jornal de sua escola. De repente, ela se vê tendo que dividir o espaço do periódico com uma aluna até então desconhecida e também criadora de mangás, a tímida Kyomoto, que não consegue frequentar as aulas de forma presencial.
Os mangás de Kyomoto, com traços detalhistas, despertam os olhares de colegas da turma e também a competitividade da própria Fujino. A partir daí, o público acompanha uma jornada de aperfeiçoamento do traço de Fujino, enquanto ela também se aproxima de Kyomoto. O encantamento pela arte de criar histórias por meio do mangá une as duas colegas.
Juntas, Fujino e Kyomoto seguem em um percurso de amadurecimento e profissionalização de suas artes, em uma colaboração criativa. A obra acompanha a dupla na travessia da juventude, em uma narrativa que envolve afeto, dor, descobrimento de si e do mundo. Nesse caminho, o filme apresenta a busca pela qualidade técnica e as oscilações próprias desse itinerário, com os altos e baixos do autoconhecimento, da juventude, da experiência criativa e do sonho de fazer arte.
O presente estudo tem como principal objetivo refletir sobre arte, ócio e experiência estética a partir do filme Look Back. A pesquisa questiona: de que maneira o longa-metragem expressa a articulação entre arte, ócio e experiência estética? Nesse sentido, compreende-se que o estudo pode colaborar para o fomento de discussões que interligam arte, ócio e experiência estética, especialmente em produções audiovisuais. Espera-se apresentar uma discussão que contribua para exemplificação dessas categorias em um filme, considerando a possibilidade de manifestação desses conceitos na obra.
Adota-se uma metodologia que possa viabilizar uma interpretação aberta e flexível. Dessa maneira, o estudo opta por uma abordagem qualitativa (Flick, 2009), composta pela análise fílmica e pela reflexão teórica. Por meio da orientação de Penafria (2009), a pesquisa analisa imagem (descrição plástica), som (elementos sonoros) e estrutura (planos e cenas) do longa-metragem, examinando a narrativa da obra e propondo uma interpretação a partir dessa observação. Assim, a pesquisa estabelece a reflexão teórica, fundamentando os argumentos sobre arte, ócio e experiência estética por meio de uma leitura a partir de Arroyabe (2000).
A partir desta análise, pode-se explorar o filme Look Back como uma obra que tensiona os limites entre juventude e maturidade, sonho e realidade, expressando isso por meio da arte — tanto no enredo quanto na própria construção fílmica. A produção representa não apenas a experiência de criar arte, mas também a experiência de viver pela arte, em meio às delicadas passagens do tempo. Essa perspectiva dialoga com as reflexões de Arroyabe (2000), que compreende a arte como um âmbito privilegiado de ócio — um espaço de liberdade, fruição e desenvolvimento integral do ser humano. No filme, o tempo dedicado ao desenho e à criação de mangás é apresentado como um lugar de apropriação subjetiva e transformação pessoal.Portanto, o estudo apresenta a seguinte estrutura: após apresentação do método adotado, é realizada análise audiovisual conforme Penafria (2009) e discussão dos elementos fílmicos a partir de uma relação aos estudos de Arroyabe (2000). Por fim, evidencia-se que, em Look Back, a arte, o ócio e a experiência estética se fundamentam na exposição de afetos, sensibilidades e atravessamentos subjetivos que marcam a juventude e o fazer artístico. O filme nos convida a contemplar não apenas a criação de mangás como forma de expressão, mas o próprio processo criativo como experiência existencial.