O campo do turismo na atualidade tem demonstrado avanços significativos no que diz respeito à diversificação de práticas, participação de populações e comunidades nos destinos e potencialidades redistributivas e de diminuição de desigualdades. No entanto ainda são usados na composição de roteiros e na definição de atrações turísticas patrimônios relacionados com grupos dominantes do campo turístico e, no caso de países em desenvolvimento, elementos provindos da colonização europeia. Diversos tipos de viagens e formas de organização e motivações aparecerem no início do seculo XXI, principalmente a partir de suas auto-organizações por meio de diversos aplicativos vinculados a smartphones e às redes socias, que facilitaram as relações entre visitantes e visitados. O estudo entende o campo do turismo tensionado pela formação e representação do patrimônio, por referências culturais, relação com o mercado e a possibilidade da incorporação de patrimônios de grupos a produtos do turismo cultural diversificados e dissonantes, novos, e formadores de atrações turísticas alternativas e decoloniais, contribuindo para a criação de roteiros e circuitos turísticos e desenvolvimento de comunidades. Os estudos que relacionam o turismo e a cultura têm papel relevante no desenvolvimento cidadão e das comunidades mundiais. O presente estudo realiza o enfrentamento dos problemas de representação e reconhecimento simbólicos mediados, potencializados ou incrementados pelo turismo em alguns casos brasileiros. Sendo assim, as relações entre cultura e turismo passam a ter um potencial de transformação na medida em que compreendê-las abre caminho para a valorização das populações, seus saberes, memórias, práticas quotidianas e também para o fortalecimento dessas populações face ao mercado e face às instâncias que projetam e aplicam as políticas culturais, tornando-as mais capazes de identificar as suas necessidades e de participar ativamente das soluções. Apresenta-se aqui experiências diversas com características de apresentar as práticas socioculturais, patrimonializadas ou não, que são incorporadas em roteiros e circuitos turísticos de Belém do Pará, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, no Brasil. Procurou-se compreender a composição dos roteiros a partir dos itens culturais patrimonializados ou não, percebendo que grupos estão incorporados aos processos e quais não estão. A possibilidade de realizar levantamentos sobre práticas e processos culturais resistentes indica a potencialidade de práticas decoloniais no turismo, a partir da verificação dos itens roteirizados, elencando as propostas tradicionais dos roteiros e circuitos, e contribuindo para a construção da ideia de Turismo Decolonial.
Turismo decolonial: experiências brasileiras no refazer da prática turística
Silvio Lima Figueiredo