Caminhar devagar na cidade: introspecção e reconhecimento urbano

Astrid Bibiana Rodríguez Cortés

Caminhar é a forma mais primitiva de nos aproximarmos do nosso entorno. Desde tempos ancestrais, caminhar era o meio natural para explorar, conhecer e conectar-se com o espaço. Não apenas permite mover-se, mas também observar, respirar, sentir e estar consciente do corpo e do momento presente. Cada passo é uma forma de interagir com o mundo, de descobri-lo através dos nossos sentidos.

No entanto, com o passar dos anos, vamos naturalizando e deixando de perceber o que está ao nosso redor; isso descreve perfeitamente como a velocidade da vida moderna nos fez perder a conexão com o que nos rodeia. Mas, ao nos tornarmos parte do sistema acelerado, deixamos de notar tudo isso. A cidade, que antes era um espaço para descobrir, torna-se uma paisagem que apenas atravessamos, sem nos deter a observar.

O convite a caminhar devagar é uma forma de introspecção e de reconhecimento da cidade. Hoje, na rotina diária, vamos de um lugar a outro com urgência e esquecemos de nos conectar com o entorno; movimentamo-nos tão rápido que desacelerar para perceber onde e com quem estamos custa muito.

Esta comunicação busca relatar de forma autobiográfica a experiência de descobrir a cidade através de uma caminhada lenta e pausada, onde a relação tempo-espaço se torna aliada para o desfrute e gozo de uma urbe que se descobre e desacelera, tornando-se cada vez mais tranquila e apaziguadora. Essas sensações levam à reflexão sobre como o que se vê no exterior reflete as sensações internas.

Assim, aqueles que apreciam as cidades e seus movimentos podem encontrar outras formas de explorar-se e explorar o entorno, apenas com o movimento pausado de seus corpos.