Este ensaio-relato principia uma abordagem dos desafios, distâncias e temporalidades inerentes ao pesquisar na Amazônia, nomeadamente, no Baixo Amazonas, região caracterizada por municípios atravessados por igarapés, paranás e rios. Ancora-se, para tal, em relatos de vivências pessoais dos autores e nas respectivas experiências de pesquisa e atividades de extensão desenvolvidas junto a professores e estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Campus Parintins), pesquisadores convidados de outras instituições e membros de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas locais. Em comum, os projetos que provocaram as reflexões aqui expostas têm como tema central a relação desses povos com a tecnologia digital, seja com ênfase na apropriação da internet e da telefonia móvel por comunidades indígenas e ribeirinhas, seja para a digitalização e tradução de uma língua indígena (Sateré-Mawé) ou mesmo para difusão de ações net-ativistas e experimentações de participação da vida em rede por meio do exercício de uma cidadania digital. Pretende-se, com este texto, contribuir para o crescente movimento de virada epistemológica e metodológica das pesquisas na Amazônia, que vem situando os que aqui vivem – humanos diversos, mas também, toda a sorte de não humanos – não mais como objetos, mas como sujeitos de um outro pesquisar possível, em que saberes tradicionais e científicos fazem parte de uma mesma inteligência coletiva.
Sobre o Pesquisar na Amazônia: tensões, desafios e caminhos
Marina Magalhães de Morais, Adriano Clayton da Silva