Olhar da janela para o imaginário da cidade contemporânea poderá, numa dimensão cultural, propiciar a visão de uma cidade em aceleração digital constante, com zonas segmentadas e habitantes à primeira vista pouco comunicativos. Este trabalho procura pesquisar através da teoria de “Cidade Lenta” que surge como uma extensão do movimento “Slow Food” e dos princípios do movimento “Slow Movement”, possíveis transmutações urbanísticas, capazes de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Autores como Pertini, Saturnini, Parkins e Craig, entre outros, têm explorado as dimensões culturais, políticas e filosóficas das cidades lentas. A prioridade é o equilíbrio entre trabalho e lazer, revigorando as identidades locais e constituindo uma alternativa a dinâmicas de aceleração desenfreada no quotidiano. O excesso de trânsito e a poluição sonora e atmosférica, são apenas dois exemplos que colidem com a saúde e o bem-estar da população. Esta pesquisa, através de estudos de caso, tenta encontrar respostas para ritmos de vida mais humanizados, que sejam inovadores e com estratégias que privilegiem o espaço público, onde o convívio social possa ser diversificado, multicultural, e a continuidade cultural e histórica revigore o olhar em patrimónios arquitetónicos e tradições locais. Do tempo vivido à janela olhando a cidade, por vezes, com medo, assistindo à chegada de corpos de toda a parte do mundo, tentamos observar a existência ou não de espaços livres e iguais na cidade, que possam vir a sustentar uma desaceleração intencional dos ritmos urbanos. Através da análise de políticas públicas e dos estudos de caso já referidos, tentamos comprovar que é possível conciliar trabalho e momentos de ócio através de uma mobilidade ambiental sustentável, podendo ser uma das soluções para a promoção de uma maior coesão social. As nossas conclusões vão no sentido de que o conceito de “Cidade Lenta” é uma hipótese exequível no denominado urbanismo e onde a prioridade é a qualidade de vida e a sustentabilidade. É possível recriar a organização dos espaços urbanos e incentivar o já citado convívio social, investindo em políticas e práticas que impulsionem a desaceleração urbana. Tende-se assim a constituir o caminho justificável dessa mudança de paradigma, em prol de um futuro mais agradável ao ouvido e vista humana para as cidades.
Da janela da cidade – o olhar lento num tempo acelerado
António Pernas