Cartografias do bom viver: interfaces entre Brasil e Portugal para pensar o desenvolvimento local

Carlos Eduardo Panosso, Orlando Miguel Pina Gama

A discussão sobre “Desenvolvimento Sustentável” já não é tão nova.  Nas últimas décadas a academia e as organizações contribuíram para uma corrida de propostas, sobretudo no campo da economia, que busca viabilizar alternativas para o alcance dele. Economia Criativa, Economia Verde, Economia Solidária,Cooperativismo entre outras “alternativas”, são exemplos desse levante de possibilidades para atingi-lo. Apesar de ser um conceito polissêmico, se considerarmos um possível consenso, o que se entende por Desenvolvimento Sustentável abarca vários aspectos da vida em sociedade, não somente (e prioritariamente) o econômico. Por outro lado, há modos de vida que conseguem equacionar questões ambientais, bem como a valorização da própria cultura e das tradições locais, apresentando, assim, sustentabilidade. Tais modos de vida devem ser levados em conta no processo de formulação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento. É necessário, portanto, revisar o que se espera do desenvolvimento, a partir desses outros modos de vida que não o almejam. Assim, o objetivo deste trabalho (que já se encontra em andamento e vinculado com as atividades de extensão e ensino), é pensar e construir, a partir de “olhares etnográficos” (dando continuidade a tese de doutorado defendida sobre os temas envolvidos, bem como expandir tais “olhares”), e usá-los para verificar “se” e “qual” modelo de Desenvolvimento se deve almejar em diferentes contextos sociais. Tratar-se de buscar e reconhecer propostas de alternativas para (e ao) Desenvolvimento (local) a partir de conceitos como Decrescimento Sereno, Simplicidade Voluntária e da própria noção de Desenvolvimento Local. Através de um mapeamento e estudo de contextos sociais estamos construindo uma Cartografia do Bom Viver a partir do Desenvolvimento Local que inspire novas políticas públicas e projetos. No momento, esta cartografia está sendo construída no âmbito do Estado do Tocantins, Brasil, com o mapeamento de suas comunidades tradicionais. Todavia, estamos iniciando uma nova etapa de investigação que integrará um programa de Estágio Pós Doutoral na cidade de Bragança (Portugal), onde buscaremos fazer novas interfaces e mapeamentos observando as comunidades locais, como aldeias e pequenas comunidades que podem ser caracterizadas como sociedades do Bom Viver.