Hermes e Héstia e os apelos da sociedade do cansaço acelerada

Herbênia Carmem de Lima Oliveira, Beatriz Pinheiro Bezerra, Camilla Lima Ferreira Rodrigues, José Clerton Martins

No contexto da sociedade do cansaço, descrita por Byung-Chul-Han, deparamo-nos com um excesso de informações e uma incessante busca pela positividade. Vivemos sob a expectativa de uma realidade onde a felicidade é não apenas desejada, mas um padrão a ser seguido. Essa pressão social promove comportamentos padronizados e exige um estado permanente de otimismo. Nesse cenário, estabelecemos um paralelo entre as características da sociedade do cansaço e os mitos da Grécia Antiga, destacando duas narrativas: a de Hermes, deus das fronteiras, das viagens e da comunicação, e a de Héstia, deusa da vida doméstica, da família e da lareira. Assim, as pessoas tornam-se cada vez mais afetadas por um “vírus” de produtividade e positividade, muitas vezes sem perceber o adoecimento decorrente dessa aceleração alienante. Nesse cenário este estudo buscou compreender como os mitos de Hermes e Héstia se inserem na dinâmica da sociedade cansada, sugerindo um caminho em direção ao equilíbrio por meio do acesso ao ócio. A metodologia utilizada foi de abordagem qualitativa, do tipo bibliográfica, fundamentada em psicologia analítica, com revisão de literatura e análise de fontes primárias. Como resultado, identificou-se a qualidade atemporal dos mitos e o reflexo de um caminho simbólico íntimo para questões contemporâneas. Hermes emerge como representação da sociedade atual, refletindo a exigência de uma consciência rápida e múltipla, capaz de lidar com várias demandas simultaneamente, mas de forma superficial. Decorrente desse movimento hipermoderno, evidencia-se uma dificuldade de acessar Héstia, que está relacionada ao ócio, à permanência e à essência do interno, do profundo, do lar e da lareira. Assim, na sociedade do cansaço, encontramos dificuldade em distinguir o que é fixo (Héstia) do que é transitório (Hermes), ou seja, o que devemos cuidar e preservar em nós e o que deve fluir livremente. Portanto, inferimos que os mitos de Hermes e Héstia podem representar a sociedade do cansaço e apontar um caminho rumo ao equilíbrio pelo tempo lento da experiencia de ócio.