O estudo analisa a intrínseca relação entre cultura popular e o digital no Mercado de Artesanato de Luanda, um espaço cultural dinâmico localizado na Província de Luanda, adjacente ao Museu Nacional da Escravatura. O mesmo é considerado a maior praça de Angola na comercialização de peças que representam a cultura nacional e africana. (Portal turístico, 2022). Isto implica a consideração sobre o conteúdo e a dinâmica das formas nas quais a cultura popular trabalha e sobre os aspectos relacionados com a representação, o contexto e as múltiplas interseções culturais de uma comunidade (Brambila, 2015).
A investigação emerge da necessidade de compreender como os comerciantes locais estão a integrar plataformas digitais na divulgação do artesanato, sem comprometer o valor simbólico e histórico das suas criações. Neste contexto, o estudo problematiza as múltiplas interseções entre tradição e tecnologia, observando criticamente as estratégias de adaptação dos artesãos ao ambiente digital contemporâneo. Desta forma, o objetivo geral centra-se em compreender as práticas culturais dos comerciantes no contexto digital do Mercado de Artesanato. Para alcançar esta proposta, foram definidos objetivos específicos: identificar as características e dinâmicas dos artesãos, analisar as estratégias de marketing, avaliar o papel das redes sociais na divulgação dos objetos e criticar as estratégias digitais já implementadas.
Metodologicamente, a pesquisa assenta numa abordagem etnográfica, privilegiando a observação direta do espaço e a realização de entrevistas com os artesãos. Esta opção metodológica permite uma imersão profunda nas novas dinâmicas do Mercado na era digital, capturando nuances e estratégias de adaptação que extrapolam análises meramente quantitativas. A investigação parte do pressuposto de que o digital não representa uma rutura com a tradição, mas sim uma resignificação das práticas culturais. Neste sentido, analisa-se como os comerciantes utilizam as plataformas digitais para divulgar as suas criações, preservando simultaneamente o valor cultural do artesanato local e africano. Os resultados preliminares sugerem que os artesãos desenvolvem estratégias criativas de apropriação digital, utilizando redes sociais como Instagram e Facebook para expandir os seus trabalhos, partilhar narrativas sobre as peças e conectar-se com consumidores locais e internacionais. Estas práticas revelam não apenas uma adaptação tecnológica, mas uma forma sofisticada de preservação e promoção cultural.