Este trabalho é originado da tese de doutorado brasileira, em andamento (fase final), na área do Serviço Social, cujo título é Ócio: Existir e Resistir da classe trabalhadora na Contemporaneidade Capitalista.
O objetivo da tese foi compreender qual o lugar do Ócio na vida dos trabalhadores e para isso o método utilizado é a História Oral Temática, sendo entrevistados dez colaboradores.
A tese está estruturada em seis capítulos, sendo o primeiro sobre o Ócio, o segundo sobre o Trabalho, o terceiro sobre o Cuidado de Si, o quarto sobre a História Oral (com ênfase sobre a História Oral Temática), o quinto são as histórias dos colaboradores e o sexto são os resultados da pesquisa.
E ainda, trata-se de uma pesquisa inédita sobre o Ócio na área do Serviço Social Brasileiro, sendo de muita relevância, visto nesta área do conhecimento a categoria trabalho ser exaustivamente discutida.
Na tese refletimos sobre a exploração do trabalhador, destacando o trabalho na contemporaneidade digital, sendo uberizado e plataformizado, tendo como consequência o sofrimento mental, o qual exige resistência, podendo ser por meio dos instrumentos de práticas de si, sendo o Ócio Autotélico, advindo de Aristóteles e o Cuidado de Si, de Michel Foucault, os quais possuem uma estreita relação.
O Ócio Autotélico, forma o cidadão, sendo uma experiência humana integral e profunda, que leva o ser humano a um processo consciente de desenvolvimento, alcançando a sua alma, sendo um importante exercício de liberdade, e , embora o Ócio tenha seu fim em si, consideramos que ele pode viabilizar a descoberta de estratégias de resistências ao trabalho alienado, o qual sequestra a subjetividade da classe trabalhadora, uma vez que ele é uma experiência de voltar-se para dentro de si, provocando transformações.
E ao se tratar do Cuidado de Si, ele é o alcançar a verdade e transformar todo ser, o qual ocupar-se de si é uma forma de viver, uma potência libertadora, que provoca a mobilização para realização de resistências aos mecanismos de opressão do ser humano.
Portanto, Ócio e Cuidado de Si se relacionam, pois de acordo com a teoria foucaultiana, o Ócio é por excelência o tempo que se passa ocupando consigo mesmo. Deste modo, estas duas práticas de si, são provocações para transformação do eu, a fim de que o ser humano seja sujeito de sua própria existência por meio da resistência a tudo que lhe oprime, que lhe sequestra a sua subjetividade, que lhe sujeita aos mecanismos de poder, portanto, o seu próprio entendimento da verdade pelo conhecimento de si, precisa ser ressignificado, pois o trabalhador assalariado na sociedade capitalista contemporânea, onde temos a uberização e as plataformas digitais, é dilacerado pelas barbáries do capital.