Lazer e saúde mental: associações das práticas de lazer com a saúde mental dos jovens universitários da Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Pontifícia Javeriana de Bogotá

Namuetcha Silva Ricardo, Ana Claudia Porfírio Couto, Argemiro Alberto Floréz Pregonero

A presente pesquisa investiga as relações entre práticas de lazer e saúde mental de estudantes universitários em duas instituições de ensino superior: a Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) e a Pontifícia Universidad Javeriana de Bogotá (Colômbia). Em um contexto global onde os índices de sofrimento psíquico entre jovens universitários têm aumentado significativamente (Storrie et al., 2010; Auerbach et al., 2018), torna-se fundamental compreender como experiências vivenciadas no ambiente acadêmico, particularmente relacionadas ao lazer, podem contribuir para a promoção da saúde mental desses sujeitos.

O estudo adota uma abordagem de métodos mistos sequencial (QUAN→qual), conforme proposto por Creswell e Plano Clark (2018), integrando sistematicamente metodologias quantitativas e qualitativas. Esta estratégia metodológica fundamenta-se na complexidade do objeto de estudo, que demanda tanto a identificação de padrões estatísticos quanto a compreensão das experiências e significados atribuídos pelos participantes. Como destacam Schoonenboom e Johnson (2017), a combinação de elementos qualitativos e quantitativos proporciona maior amplitude e profundidade na compreensão do fenômeno estudado.

O objetivo central é estabelecer associações entre as práticas de lazer vivenciadas no contexto universitário e a percepção de saúde mental dos estudantes. Para isso, busca-se: identificar quais práticas de lazer são reconhecidas pelos jovens em sua rotina acadêmica; descrever como estas práticas se relacionam com sua percepção de saúde mental; e comparar as infraestruturas e políticas institucionais voltadas ao lazer nas duas universidades investigadas.

A população-alvo compreende estudantes entre 18 e 29 anos, regularmente matriculados nas instituições selecionadas. A técnica de amostragem adotada é a não probabilística do tipo “bola de neve” (Coleman, 1958), iniciando-se nas faculdades de Educação Física (UFMG) e Educação (PUJ), expandindo-se por indicações dos participantes iniciais. Esta estratégia mostra-se adequada para o estudo multicêntrico, considerando os objetivos de investigar as relações entre práticas de lazer e saúde mental em diferentes contextos culturais (Vinuto, 2014).

Os instrumentos de coleta incluem um questionário estruturado em três seções: práticas de lazer na universidade, saúde mental (utilizando a Escala de Saúde Mental Positiva validada por Machado & Bandeira, 2015) e dados sociodemográficos. Na fase qualitativa, são realizados grupos focais com subconjunto dos participantes da etapa quantitativa, seguindo roteiro semiestruturado desenvolvido a partir dos resultados preliminares.

A relevância desta investigação reside na possibilidade de fornecer subsídios para políticas institucionais que reconheçam a importância do lazer como componente fundamental da formação universitária. Conforme aponta Hironaka-Juteau (2020), as práticas de lazer podem funcionar como estratégias significativas para promover o bem-estar e reduzir o estresse no ambiente acadêmico. Ao comparar realidades de dois países latino-americanos com distintas tradições acadêmicas e culturais, o estudo também contribui para uma reflexão crítica sobre como diferentes contextos sociais e institucionais influenciam a configuração das práticas de lazer e seus impactos na saúde mental dos estudantes (Dumazedier, 2008).Espera-se que os resultados possam evidenciar a necessidade de repensar a organização do tempo no ambiente universitário, destacando a importância de espaços dedicados ao lazer como parte integrante da formação acadêmica, e não apenas como atividades periféricas.