Na contemporaneidade, a aceleração, a produtividade e a autoexploração fazem parte da estrutura social vigente, levando ao esgotamento do ser e à ausência presente, que nos impede de estarmos conectados com o que vivemos e com quem somos. O ócio, a experiência e o tempo lento surgem como um contrafluxo a essa estrutura. Proporcionar tempo para que as vivências se transformem em experiências é o caminho para as transformações e para o processo de desenvolvimento do sujeito. O percurso do inconsciente e da alma não segue o tempo cronológico racional; esse processo segue seu próprio tempo. Sendo um caminho custoso, que exige tempo e disposição. Assim, o ócio oferece uma oportunidade para o encontro consigo mesmo. Reconhecendo que o sujeito não pode ser segregado da época em que vive, convocamos a necessidade de estabelecer um diálogo entre a psicologia analítica e o ócio como uma forma de aproximar o movimento da alma e da psique para a experiência da apropriação de si, e do tempo da experiência. À vista disso, a comunicação objetiva refletir sobre as convocações do ócio pela via da psicologia analítica. A proposta toma como ponto de partida, o pensamento de Verena Kast. Tomando como metodologia a pesquisa bibliográfica de enfoque narrativa, elabora-se uma interlocução entre a psicologia analítica e o ócio oferecendo um caminho possível para o autoconhecimento, possibilitando o aprofundamento da alma e a exploração dos aspectos do inconsciente.
A alma precisa de tempo: considerações sobre o ócio na perspectiva da psicologia analítica
Beatriz Pinheiro Bezerra, José Clerton Martins